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Autorretrato antirromântico

Sou aquela que não compensa: esperar pra ver mudar, tentar modificar, desfilar. Sou aquela que repensa, textualiza trabalho, debate mudança, luta! Não sou aquela: moldável ao padrão, submissa ao varão, que abaixa para o patrão! Não sou a mulher que você quer.

auto.bio.do.limbo

Meus valores são inegociáveis!  Sou chamada de pragmática, o que coincide com a melhor parte da gramática. Gosto. Analiso as situações, contexto por contexto, e decido quem cabe ou não em mim. Alguns acham que sou antissocial aqui vai uma informação para os incautos: Não sou! É o contrário. Entende o que eu quero dizer? Fico se quero, permanece quem se escolhe junto de mim. Se 2020 foi mudança, 2021 foi um limpa.

2021.2

Do nada, a reflexão anual de fechamento aparece. Lembro de quem se foi, da nenhuma culpa para carregar, e ela me vem em outro campo: quem eu deixei de ser. É que o encanto já não existe mais em mim. Esta em que me transformei, mais máquina, não serve muito para o viver. "Nada de chateações em textos para internet!" É o que eu sempre ouço, e o que não penso. Cada um fala o que quer, cada um teve o ano que mereceu, cada qual faz do seu viver o que quiser. O meu, tento fazer um pouco mais leve pensando que o mal nunca vencerá, já que o bem é um excelente perdedor.

LIVRAMENTO

Um alívio  não ter me perdido. Livramento! o tempo volta ser momento.

Ainda é quinta-feira

 Não quero prosa hoje quero poema. Sem tempo de saudar as palavras, comer as letras... Também nem vou longe dentro desse todo métrico. Sem estórias por fim.

Tempo

O corpo não obedece Vontade não falta  Desejo de povo, maquinação.  Envelheci! (tudo cai, flacidez)  Escorri.   Aprende com o tempo.

VINTEOITO

Fim de mês. Sem contas a pagar, Trabalho acumulado,  Jardim regado. Saindo de cena. Casa arrumada, Festa cancelada As gavetas já estão forradas. Leitura atrasada, Terror me anima Cozinha está limpa. Fechamento de edição.